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Eu te vi naquele bistrô

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Eu estava entrando no bistrô do centro quando te vi. Eu costumava voltar lá algumas vezes, porque realmente era um lugar agradável e me fazia fugir do estresse da cidade. Era calmo e tinha chocolate quente e cappuccino e aquele bolo de chocolate. Nesse tempo todo nunca esbarrei com você por lá. No começo eu até esperava te encontrar, mas sempre me decepcionava. Depois parei de te procurar e apenas apreciava minhas leituras acompanhadas de alguma bebida quente. Confesso que paralisei quando reconheci você de costas.

Sabe aqueles segundos muito rápidos que passam por nossa cabeça, mas que a gente consegue pensar num monte de coisas de uma vez só? Foi o que aconteceu comigo naquele momento. Fiquei processando se passava por você fingindo que não te vi. Ou se te cumprimentava de longe. Ou se ia até você dizer oi. Eu não tive tempo de decidir, meu cérebro comandou que meus pés dessem alguns passos para diminuir minha distancia de você.

Você estava lendo. Droga, eu tava com medo de te incomodar. Eu comecei a me afastar novamente quando você percebeu e se virou. Seu olhar me lembrou de todas as vezes que eu te surpreendi e você abria um sorriso logo em seguida. Não foi diferente dessa vez. Você sorriu e nem parecia que tinha tanto tempo assim que estivemos juntos.

Sua barba tava maior que nunca, igual quando eu te conheci, mas logo você teve que desfazer dela por causa do novo emprego. O cabelo estava diferente também. Acho que você realmente conseguiu o corte que queria. Menor nas laterais e mais comprido na parte de cima para poder amarrar. Seus amigos te zoavam quando você dizia que queria fazer isso um dia. Eu sempre achei lindo e esperava para seu cabelo adquirir cumprimento para chegar nessa forma. Não fiquei para ver o primeiro dia da mudança. Mas agora eu te via. Ainda usava os mesmo óculos e seu estilo galã permanecia o mesmo. Você só parecia um pouco mais velho, mas eu gostei da sua aparência.
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Você me convidou para sentar. Não hesitei e puxei a cadeira. Pedi o de sempre e percebi que você também estava tomando o mesmo. Perguntei sobre o livro. Você deu um sorriso de lado e começou o resumo da história. Eu te contei sobre minha formatura da faculdade. Da viagem que fiz sozinha para Viena e que chorei no meio de um parque que o guia turístico conduzia. Agora parecia engraçado e não teve jeito de não rir ao ouvir o som da sua gargalhada. Você me contou que ia para Austrália no começo da primavera – daqui dois meses. O novo emprego na agencia te fez ficar mais leve para finalmente se arriscar na viagem. Fiquei completamente feliz por você e de repente nos vimos falando sobre alguns roteiros que você não podia deixar de ir.

Conversamos por horas. Tudo parecia no seu devido lugar. Os assuntos fluíam sem esforço nenhum. Passávamos por assuntos profissionais para novas experiências e depois as novidades e os desafios de crescer. Não dava para acreditar que três anos estiveram no nosso meio. Me bateu aquela sensação que eu estava conversando com meu melhor amigo que eu via todos os dias. Aí eu me lembrei, ficamos juntos tempo suficiente para você ser meu melhor amigo a ponto de não haver reversão.

Foi então que eu me dei conta. A gente terminou nosso relacionamento e se viu obrigado a se afastar completamente porque era tudo dolorido demais. Perder o amor, o amigo, o cúmplice. Tudo numa mesma pessoa só. Mas a gente precisava dessa distancia, para compreender o encontro de hoje. Tava dando a minha hora, mas a gente já tava marcando um próximo encontro. Agora a gente tava leve o suficiente para encontrar o outro de novo na nossa vida. 

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