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Eu tava de frente pro mar

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Eu prometi que não escreveria mais sobre você. E agora eu estou aqui, de frente pro mar do outro lado do país pensando em todas as coisas boas que vieram com você. Sabe, escrever te permite imaginar diversas coisas. Eu poderia estar noutro país se quisesse. Poderia estar escrevendo de cima da roda gigante. Ou dizer que está chovendo muito lá fora e estou trancado no quarto. Mas eu estou de frente pro mar... ou não, isso é um texto mesmo.

Ainda tava amanhecendo. Perdi o sono e não podia ficar em casa sabendo que dia era hoje. Caminhei bastante antes de parar na praia. Eu me lembrei do ano passado. Dois dias antes do dia eu fui te visitar. É que eu não sabia se te encontraria no domingo. Também não queria estragar seus planos.

Eu me lembro de planejar por dias na minha cabeça. Na sexta-feira depois do trabalho corri – literalmente, porque já estava atrasado – até uma lojinha de doceria e comprei dois pedaços de torta. Eu até tentei fazer um bolo, mas foi direto para o lixo. Vesti exatamente a mesma roupa que você me viu pela primeira vez e eu não me lembro. Eu até tinha ensaiado a primeira frase. Fui para a estação de metrô e esperei pelo próximo trem.

Fazia tempo que não ti via. Quanto mais se aproximava mais meu nervosismo aumentava. O coração tava tão acelerado que minha respiração ficou irregular. Cheguei cedo. Você ainda não estava em casa. Eu esperei do lado de fora. Andava de um lado pro outro da rua. Olhava para as horas freneticamente e o ponteiro quase não tinha mexido. Até que uma conhecida sua perguntou se eu tava esperando você. Disse que sim. Ela me fez um favor e te ligou. Você disse que estava no salão, que a porta tava aberta e eu podia entrar para esperar.

Relutante, entrei. Algumas coisas estavam diferentes, mas me senti em casa ainda assim. Fui até seu quarto. Coloquei a embalagem da torta em cima da cama junto com um bilhete de papel amarelado. Fiquei no meio do quarto e olhei em volta. Ainda tinha evidencias minha na sua vida. As miniaturas que eu te dei permaneciam na mesinha ou na sapateira. Aquele quadro com o desenho que encontrei na internet estava em cima do guarda-roupa disposto de uma maneira que ainda dava para olhá-lo sempre. A playlist com as nossas musicas ainda estava na sua cômoda. Até mesmo o pote com alguns bilhetes ainda existia.

Eu esperei por mais algumas horas, mas já estava ficando tarde. Você não apareceu e a gente não conversou. Eu precisei ir embora. Deixar aquele lugar para trás novamente não foi nada bom. Por isso eu me decidi mudar de cidade. Conhecer o mar antes de você. Era uma imensidão de azul esverdeado igual àquela nossa combinação de roupa quando fomos à apresentação local do circo.

Ele é infinito. E bem no infinito ele se encontra com o céu, pelo menos para o nosso olhar. Igual a gente se encontrou, sabe? Tenho certeza que você amaria conhecê-lo e ouvir o som das ondas. Especialmente hoje eu queria te perguntar: a gente ainda pode pegar o mesmo voo agora sem passagem de volta e ir conhecer outro país?

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