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A gente tava vivendo do jeitinho que imaginávamos

by - 12:21

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Eu tava te esperando deitada na cama. Sabia que uma hora ou outra você ia chegar, mas a preocupação não fazia trégua. Tava uma tempestade lá fora e eu não sabia se você já tinha pegado o taxi ou se ainda tava na agência para a entrevista de emprego que atrasou três horas. Seu celular descarregou o que me deixou mais ansiosa ainda. Era a sua primeira entrevista de emprego depois que passamos a morar juntos. Em outro estado do país. Tava difícil pra caramba pra gente, mas estávamos tão felizes com a nova vida que as dificuldades não eram motivos para desanimações.

O horário comercial já acabou e nada da porta sendo aberta avisando sua chegada. Estávamos nos virando com alguns freela e bicos que conseguiam pagar o aluguel e as contas básicas. Sobrava para um café que ficava na esquina em um final de semana no mês. Engraçado, nossa vida mudou tanto, mas parece ser a nossa melhor época. Acho que é porque finalmente conseguimos o nosso lugarzinho, depois de tanto tempo planejando e arquitetando. Não sobrava espaço para comparações de como vivíamos. E nem precisávamos disso, porque a gente tava vivendo do jeitinho que imaginávamos antes. 

Resolvi fazer chocolate quente para nós. Assim me distraia e tirava o peso de mim. Coloquei pra tocar Ever Be no volume baixo para contrastar com o som da chuva. Peguei os ingredientes no armário e raspei o pote de nutella que compramos na promoção essa semana. Coloquei tudo na panela e liguei o fogo. Enquanto misturava pensei quando pegamos o avião no dia da mudança oficial. Foi um misto de sentimentos. Nervosismo, saudade que daria de casa, mas principalmente felicidade e amor. Abri um sorriso ao lembrar quando entramos de mãos dadas no apartamento que demoramos meses para encontrar e fechar negócio. O chocolate quente ficou pronto.

Peguei as duas canecas que trouxemos da lojinha local da nossa cidade e as enchi. O cheiro de chocolate exalava por toda a cozinha e se estendia sobre a sala. Ia esperar você chegar para tomarmos juntos sentados no sofá da sala, mesmo que esfriasse. Já havia lavado toda a louça quando ouvi a porta abrir. Meu coração palpitou e corri até a entrada da porta. Minha angústia parecia tão ridícula perto de você. Nem parecia que a pouco a preocupação inundava meu peito. 

Você tava com seu suéter verde todo ensopado e o cabelo pingava a água da chuva. Tava vestindo seu melhor sorriso e com flores, a metade estragada, nas mãos. Não precisava perguntar o resultado da entrevista. Tava visível. Eu pulei nos seus braços e foi assim que comemoramos a primeira conquista da nossa nova vida. Coloquei as flores no pote que nunca fica vazio delas. Esperei seu banho e tomamos o chocolate quente de baixo de coberta na nossa cama. Dormimos depois de horas de conversas e sob o som da chuva lá fora, dentro do seu abraço. 

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