Quando a gente tem dúvida é melhor ir de vez

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Não é sobre meus medos, meu passado e muito menos sobre você. Foi assim que comecei, ou melhor, terminei. Confesso que foi fácil elaborar todas essas falas, mas foi difícil jogá-las a você. É que já não era tão frio como quando você chegou. De repente derreteu e eu quis congelar novamente. É que o gelo é duro enquanto a água que o dá origem escapa fácil demais, desliza, não tem firmeza. A gente não escolhe pra onde a água vai escorrer e eu gosto de ter controle. Talvez seja esse o erro: tentar controlar tudo, até o que não se controla.

Não doeu quando eu ensaiei ir embora, mas doeu quando cê pediu pra ficar e eu tive de fazer de forte pra não voltar atrás. Não doeu quando eu gritei verdades, desengasguei palavras e vomitei tudo aquilo que tava engolindo, mas doeu quando cê disse que ia mudar. Doeu quando eu tive que ser duro contigo, porque eu sabia que tava doendo em você. Não doeu quando eu abri a porta pra ir, doeu quando eu fechei e deixei você só, lá dentro do que já podíamos ter chamado de nosso. Não doeu ir embora, mas doeu porque eu também queria ficar. E quando a gente ta em dúvida se vai ou se fica, é melhor ir de vez.
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Eu não tinha certeza e entre não ter certeza e deixar eu preferi a segunda opção. É mais cômodo desistir do que tentar dar certo. E eu tive medo, confesso, do futuro: porque eu não tava preparado pra amar. Não tava preparado pra receber amor. E você já me dava amor, mesmo dizendo que não era. Igual naquela vez que levou um pedaço de bolo pra mim. Quando disse que não tinha planos, mas queria ter. Quando mexia no meu cabelo e eu vaidoso que só dizia que iria bagunça-lo, mas eu gostava. Gostava quando sentia seu toque, seus dedos passando por meus cabelos. E gostar me assusta. E entre gostar e baixar a guarda e permanecer assustado, eu resolvi sentir o medo. Igual no dia que a gente tava naquele café e eu te perguntei se você queria que durasse e cê disse que queria. Igual naquele dia que cê disse que eu te trazia paz. Igual naqueles dias que cê me esperou nos encontros que eu sempre chegava atrasado. Igual naquele dia que cê disse que agora o objetivo era acreditar em mim acima de tudo. Eu tive medo do amor.

Você até disse que achava que tava me amando e eu sabia que seria amor e corri. Porque é isso que eu faço: corro quando ta mudando, corro a qualquer sinal indicando que eu to sentindo algo, por menor que seja. Eu corro quando percebo que posso ser feliz com outra pessoa. Corro porque sou egoísta e gosto de ser só. Eu corri porque eu sabia que podia ser você e eu não queria admitir isso.

Eu não podia retribuir o que fazia por mim. Não podia ser a âncora que te segurava nessa cidade. A Avenida Paulista deve ser incrível e eu sei que cê tava louca pra conhecer essa cidade. E quando cê tiver no parque Ibirapuera lembra de mim. Sei que comigo sua liberdade é substituída por gaiola. E eu prefiro pássaros voando que presos. Acho que eu não sou seu futuro, por isso te dei adeus, mesmo querendo ficar.

Eu fugi do amor e desculpa por isso, é que eu não sei amar.

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